Guia básico sobre Chipmusic
N.E.: A alguns meses atrás eu fiz este guia básico pra ajudar iniciantes no mundo do chipmusic. Agora reposto aqui. Aviso que talvez deixe passar alguma informação desatualizada. Qualquer duvida é só usar os comentários ou mandar um email. Boa leitura!
Olá. Espero, com esse artigo, contar algumas verdades e inverdades sobre essa forma de fazer música que vem crescendo no mundo e que aqui no Brasil já está se firmando: a Chipmusic (Chiptune, 8bit, lowtech music, etc). Eu, honestamente, prefiro o termo chipmusic por explicar exatamente como é o funcionamento de tal gênero musical, que é acessar o chip musical, seja por meio de emulação ou no hardware, para que produza sons.
O grande barato de fazer música com hardwares antigos é exatamente a limitação de tais. O Game Boy, por exemplo, conta apenas com quatro vozes. Por vozes, dizemos canais que produzem som. No caso do Game Boy temos duas vozes de Pulso, uma de Ondas (Wave) e outra de Noise (ruído branco). Já o Commodore64 tem três vozes, mas sem distinção entre elas, podendo programar qualquer tipo de som em todas as faixas (colocar noise em algumas notas, pulso em outras, etc). Alguns possuem a opção por samples, como o Amiga, que tem 4 canais de reprodução de audio.
Lembrem-se que a limitação é a chave do negócio, pois coisas incríveis surgem dela.
UM POUCO DE HISTÓRIA:
Lá nos anos 80, quando a maioria de vocês (inclusive eu) ainda era criança ou nem havia sido planejada, surgiam programadores que criavam os chamados demos, o qual eram basicamente um videoclipe (com os códigos programados “na raça”) para computadores. Sabe aqueles programinhas chamados cracks? Então, geralmente os que tocam uma música são influenciados por esses caras que faziam esse tipo de coisa a muitos e muitos anos atrás.
Da produção e ploriferação dos demos, criou-se a demoscene, que é basicamente uma cena nórdica, pois muitos programadores são daquela parte especifica da Europa.

Exemplo de demo clássico: “Game Music IV”, para Commodore-64
Conforme os anos se passaram, os videogames se tornaram obsoletos e as crianças foram crescendo. Nesse terreno fértil de memórias os mesmos programadores foram criando softwares para fazer música chamados trackers, que é praticamente a única de se fazer música para videogames que não envolva códigos de programação.
Algo que não devemos confundir é trilha-sonora com chipmusic. Uma coisa é diferente da outra pois chipmusic não vem acompanhada de um jogo.
Desde o final dos anos 80 vem se fazendo música a partir dos videogames, então, entre o final dos anos 90 e começo de 2000, com o surgimento do Nanoloop e Little Sound Dj, os dois programas básicos para se fazer música com o Game Boy, houve um crescente aumento de pessoas interessadas nesse tipo de música.
Mas, como nós já sabemos (ou deveríamos saber), com a criação do 8bitpeoples (uma das mais famosas netlabels de chipmusic e, sim, eu explicarei o que é netlabel mais pra frente) e artistas como Nullsleep, Bit Shifter e Sabrepulse, houve um boom da cena lá fora.
TA, MAS COMO EU FAÇO MÚSICA?
Antes de mais nada quero salientar que, apesar de importante, o Game Boy não é a única maneira de se criar chipmusic. Nunca foi a principal, exceto nos tempos atuais. Podemos usar também o Commodore 64, computadores Atari, Amiga, e consoles de videogame como Mega Drive, NES, Master System / Game Gear, até aquele velho PC 386 que sua mãe, vó ou mesmo tio pentelho tem empoeirado em algum canto da casa.
Existe o método fácil que é baixar plugins para programas como Ableton Live e FLStudio. Dependendo do seu nível de composição e criatividade esse fator não importa. Mas esse é o método mais fácil.
O método difícil é aprender a usar os infames trackers, que estão disponíveis para muitos hardwares. Existe uma lista na wikipédia com alguns programas.
O mais difundido meio de criação de música hoje é o Game boy. Por que? Por ser um portátil barato e fácil de encontrar. Pelo menos na gringa, claro. No Brasil não é tão difícil, mas você precisa dar uma fuçada pra achar um modelo clássico (o “tijolão”, que tem o melhor desempenho sonoro) em ótimo estado. E outro fator indispensável é o fato do portátil já ter programas nativos ao hardware, como os já citados Little Sound Dj (LSDJ) e o Nanoloop. Esses dois são, sem dúvida algum, os softwares de musica mais utilizados na chipmusic e os mais “amigáveis”.
Mas calma! Para compor no Game Boy você precisa saber algumas coisas:
Você pode baixar a versão demo do LSDJ no site oficial deles e usar no emulador de escolha pra ver do que se trata. Eu prefiro o emulador NO$GMB, que tem um som mais fiel. O Nanoloop também oferece o download da versão demo do seu programa no site oficial. Teste os dois, veja qual a dificuldade e tire suas próprias conclusões. Vale lembrar que todos esses programinhas têm manuais online disponíveis.
IMPORTANTE: Por favor, por mais que nós brasileiros não gostemos de gastar dinheiro com softwares, não “roube” o LSDJ. Ele custa a bagatela de 2 dólares, ou seja, o preço de uma esfirra com suco no boteco da esquina.
E porque eu digo somente LSDJ? Porque o Nanoloop não existe em formato rom. Ele salva somente quando em cartucho por inteligentes métodos de gravação.
COMO ASSIM TRACKER?
“Tracker (também chamado de Tracker music ou MOD-scene), é um termo genérico, atribuído a uma classe de softwares, que criam sons digitais através de um sistema organizado de notas, separadas por diversos canais de áudio.
A palavra “Tracker” pode definir tanto estes softwares, quanto os seus canais de áudio, e ainda pode ser a definição do estilo musical, por vezes bastante característico, feito por estes programas. Já “MOD” é um nome que é dado devido a um dos formatos de módulo utilizados pelos programas.
A interface dos primeiros programas trackers é primariamente numérica; as notas são concebidas através de teclas alfa-numéricas no teclado do computador, sendo que os parâmetros adicionais e os efeitos são adicionados por hexadecimais. Os programas mais avançados também permitem criações baseadas apenas em interfaces mais simples e aceitam a entrada de um teclado musical.”
Na prática significa um programa aonde você coloca notas musicas em faixar, geralmente na vertical, e cria “instrumentos” (que são as especificações para o hardware reproduzir o som) para que a música toque. Existem vários tracker para todos os tipos de hardware. LSDJ, por exemplo, é um tracker. Caso você tenha apenas seu computador, comece com trackers baseados no Windows, como o caso do Goattracker (feito para emular o som do Commodore64, ou C64), MOD2PSG2 (Master System), TFM Maker (Mega drive), Famitracker (NES), Milkytracker, LittleGPTracker e Modplug Tracker (baseados em samples, como o SNES).
Recomendo o Famitracker, o tracker para iniciantes!
DICA: Crie instrumentos no FamiTracker ou não irá ouvir nada!
GAME BOY É INSTRUMENTO TAMBÉM
Primeiro: Gameboy não é o único videogame, como já disse, que dá pra fazer música. É só o mais icônico e talvez mais fácil e barato de usar em shows. Mas não se prendam a ele, por favor!
Apesar de não explicar nesse artigo como fazer uma música no Game Boy, explicarei algumas coisas necessárias e importantes. De maneira alguma você deve levar isso como verdade absoluta, pois não é.
Existem vários programas nativos do Game Boy para a criação de música utilizando o chip do ‘tijolão’. Como já apontado previamente, temos o Nanoloop e o LSDJ. Vamos às diferenças!
LITTLE SOUND DJ (LSDJ): É o mais famoso tracker atualmente. Ele é simples, poderoso, tem uma interface intuitiva, mas tem o ponto negativo de ser um tracker, o que pode assustar alguns iniciantes. O modo de instrumentos é simples, mas hexadecimal (vai de 0 a F). A vantagem é a grande variedade de sons que você pode fazer. É um pouco complicado de usar das primeiras vezes, mas em alguns meses já dá pra começar a brincar pra valer. E não diga que meses é muito tempo. Você não aprendeu a tocar violão bem em uma semana sozinho.
NANOLOOP: Possui uma interface totalmente gráfica, aonde tudo o que você vê são quadradinhos, bolinhas e outras imagens bonitinhas. Não tão poderoso (no que diz respeito a manipulação exata de efeitos e valores) mas com o mesmo potencial musical. Como o nome diz, ele é focado em loops. Eu usei apenas a versão demo, mas é um programa interessante. Também é um pouco complicado no começo, pois não tem texto explicativo, mas também dá pra aprender em pouco tempo. É bom explicar que existem duas versões desse software. A 1.x é pro Game Boy clássico, a 2.x é pro GB Advance, utilizando os canais adicionais do Advanced para Frequencia Modulada (FM).
A diferença entre eles é apenas na visual. Depende do seu gosto pessoal. Há uma pequena rixa entre usuários de LSDJ e Nanoloopers, mas na verdade não há um programa melhor. Os dois são bons. Depende só de você.
Enfim… após conhecer os programas, brincar com as versões demos você escolhe um dos dois. Ou os dois, não sei. O problema para nos, brasileiros, é o alto custo de importação de tais produtos. O Nanoloop custa 58 euros a versão 1.5 e 68 euros a versão 2.3 pra GBA. mas não dá trabalho nenhum além de só criar músicas e gravar depois – caso seu produto não pare na alfândega. Aí da-lhe taxas.
Já com o LSDJ a coisa é diferente…
Existem fitas prontas com o LSDJ, mas o modo atual consiste em primeiro comprar a licença no site oficial [www.littlesounddj.com] (custa só US$2,00! Não é muito e vale a pena). Depois você precisa comprar o cartucho regravavel. Existem lojas virtuais de pessoas do meio musical que vendem a fita. Primeira dica: a bateria que permite a gravação pode acabar e você perde todas as suas músicas. Calma, calma! Não se assuste! Nas mesmas lojas você consegue pilha, mas isso é só por conta de informação, não é urgente. Esta fita regravável existe na opção USB, o que facilita em milhares de vezes o famoso backup (FAÇA SEMPRE!)
Caso a grana esteja curta, não tem problema usar emulador. Mas é sempre bom usar o real que emular, portanto guarde e compre sua fita e seu gameboy pois vale a pena.
CHIP MUSIC E O INGLÊS
Acredite: aprenda o básico do inglês, no mínimo tente aprender o que cada palavra relacionada ao tracker que você está usando significa. Ajuda muito saber o que você está fazendo. E, também, existem diversos tutoriais em inglês para ajudar, manuais e etc, coisas que ficam muito difíceis (por falta de tempo) para traduzir pro português. Nem que você tenha de pedir pra alguém um help, tá valendo!
Espero que essa introdução tenha sido satisfatória pra vocês e que comecem a buscar mais sobre esse universo da chipmusic.






